Como calcular o custo real de um buquê na floricultura

Muita floricultura define o preço do buquê olhando só para o que pagou pelas flores. Neste artigo você vê, passo a passo, tudo o que entra no custo de um buquê e como chegar a um preço que dá lucro de verdade.

4 de novembro de 2026 · 8 min de leitura

Imagine uma floricultura que paga R$ 4,00 por rosa e vende um buquê de 12 rosas por R$ 96,00, o dobro do que gastou com as flores. Parece uma boa margem. Mas, quando entram as flores que murcham, a embalagem, o tempo da florista, o aluguel e a taxa da maquininha, sobram pouco mais de R$ 6,00 por buquê. É por isso que vale saber calcular o custo real.

O custo real de um buquê tem quatro partes. Vamos ver uma por uma, usando como exemplo um buquê de 12 rosas.

1. Materiais diretos

São os itens que vão fisicamente para dentro do produto: as flores, a folhagem, o papel, a fita, o cartão. Para cada produto, monte uma ficha técnica: a lista de todos os materiais com quantidade e preço unitário.

Use o preço que você realmente paga, incluindo o frete. Se você paga R$ 3,60 pela rosa e mais R$ 0,40 de transporte por unidade, o custo da rosa é R$ 4,00.

2. Perdas

Nem tudo o que você compra vira venda. Na floricultura, flores murcham, quebram ou chegam feias do fornecedor. Se de cada 10 rosas uma vai para o lixo, a perda é de 10%, e as rosas boas precisam pagar pela que se perdeu.

A conta é simples: custo com perda = preço ÷ (1 − perda). No exemplo, R$ 4,00 ÷ 0,90 = R$ 4,44 por rosa. Parece pouco, mas em 12 rosas são R$ 5,33 a mais por buquê.

Dica Não chute a perda. Durante um mês, anote quantas unidades foram para o lixo e divida pelo total comprado. Faça isso por tipo de produto: rosas e girassóis, por exemplo, duram tempos bem diferentes.

3. Mão de obra

O tempo da florista que monta o buquê também é custo, mesmo que a florista seja você. Descubra quanto custa uma hora de trabalho:

  1. Some tudo o que a pessoa custa por mês: salário, encargos e benefícios. Exemplo: R$ 3.000,00.
  2. Divida pelas horas trabalhadas no mês. Com 160 horas, a hora custa R$ 18,75.
  3. Multiplique pelo tempo de produção. Um buquê leva 20 minutos, ou seja, R$ 18,75 × 20 ÷ 60 = R$ 6,25.

Se você mesma faz tudo, coloque aqui o pró-labore que gostaria de receber. Caso contrário, o seu trabalho fica de graça e o negócio parece mais lucrativo do que é.

4. Custos fixos

Aluguel, luz, água, internet, contador e sistema existem mesmo que você não venda nada. Eles também precisam ser pagos pelos produtos, em partes. Esse processo se chama rateio.

O jeito mais simples: some os custos fixos do mês e divida pela quantidade de produtos que você vende no mês.

  • Aluguel R$ 2.500 + contas R$ 600 + contador R$ 400 + outros R$ 500 = R$ 4.000 por mês.
  • A loja vende cerca de 500 buquês por mês.
  • Cada buquê precisa carregar R$ 4.000 ÷ 500 = R$ 8,00 de custo fixo.

Se a loja vende de mini-buquês a arranjos grandes, ratear por unidade fica injusto. Nesse caso, uma alternativa é ratear em proporção ao custo das flores ou ao tempo de montagem.

Juntando tudo: a ficha do buquê

O buquê que parecia custar R$ 48,00 em flores custa, na verdade, R$ 81,08.

Do custo ao preço de venda

Ainda falta uma parte: o que sai de cada venda. Imposto, taxa da maquininha e comissão de aplicativo são cobrados em porcentagem do preço, e não do custo. Por isso não basta somar uma porcentagem ao custo. A fórmula certa é:

Preço = custo real ÷ (1 − impostos − taxas − lucro desejado)

No exemplo, com 6% de Simples Nacional, 3% de maquininha e 20% de lucro:

  • 1 − 0,06 − 0,03 − 0,20 = 0,71
  • R$ 81,08 ÷ 0,71 = R$ 114,20

Para conferir: dos R$ 114,20 saem R$ 6,85 de imposto e R$ 3,43 de maquininha. Tirando também o custo de R$ 81,08, sobram R$ 22,84, que são exatamente 20% do preço.

Com o preço “no olho”, o lucro é de 6,5%. Com o preço calculado, de 20%.
Dica Se o preço calculado ficou acima do que o mercado paga, não corte a margem logo de cara. Primeiro olhe para a ficha: dá para negociar com o fornecedor, reduzir a perda ou montar mais rápido? Cada real economizado no custo vale mais que um real de desconto no preço.

Resumo

  1. Liste os materiais de cada produto com o preço real, frete incluído.
  2. Acrescente a perda: preço ÷ (1 − perda).
  3. Some a mão de obra: custo da hora × tempo de produção.
  4. Rateie os custos fixos do mês pelos produtos vendidos.
  5. Calcule o preço: custo real ÷ (1 − impostos − taxas − lucro).

Revise a ficha sempre que um fornecedor mudar de preço. Em produtos sazonais, como flores no Dia das Mães, faça isso todo mês.

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